Deus termina aqui
Para Claudio Willer
hasteia o perigo
ante os olhos do inimigo
diante do abismo
levante de classe
avante combate
ante os olhos do inimigo
diante do abismo
levante de classe
avante combate
rasteiro no estrume
lambe água de açude
lambe água de açude
o quão fundo é este poço?
mergulho ríspido
quantos passos até cair?
freia, cavalo
inclinados,
os ossos brilham
breve como a eternidade
ou quase
adormeces
À esquerda
A violência envenena-me - Herberto Helder
As águas estavam turvas no monturo
as janelas estavam cobertas de água escura
o aço dos pés
a mola das veias
o sangue sem crepúsculo
o motim erguido no viaduto
as janelas estavam cobertas de água escura
o aço dos pés
a mola das veias
o sangue sem crepúsculo
o motim erguido no viaduto
em nossa direção, lentamente o sol vela
o futuro do trabalho
abandonadas à esperança
testemunhas estrépitas lufam suas vozes:
suerte para
estos
proletarios nómadas
a penumbra hasteia a sua bandeira
o último a cair
(joga a bigorna/
joga o lixo fora)
vai, destrói com uma só mão o coração do abismo
-
(Há um terceiro poema na Revista Canarana impressa, e também uma imagem produzida por Beeau Gómez
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ou pelo site da P55 edição )
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